UMA SÉRIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX Parte do trabalho é tentar
resolver grandes questões. Como contar sua história esteticamente antes mesmo de dizer qual é ela. Câmera gravando. Estou pensando em como
criaremos o documentário. E, na minha ansiedade atual,
me veio a pergunta: “É sobre mim ou o que foi feito por mim?” Não está me vendo desenhar, certo? Não.
Só estou vendo o topo da sua cabeça. Interprete com os olhos. Quando desenho uma experiência
para o espectador, claro que quero parecer
tão bom quanto possível. Somos vaidosos, e temos que ser. Se for sobre mim, é um cabo de guerra
entre quanto querem que eu revele e quanto quero revelar
daquilo que não quero revelar. Mas, no fim, não tem a ver comigo. Seja um artista. Seja um artista. ILUSTRAÇÃO
CHRISTOPH NIEMANN GRANDE CONCEITO
BAIXA RESOLUÇÃO! BERLIM
ALEMANHA Tudo o que acontece
entre 9h e 18h é trabalho. Trabalho principalmente sozinho. Sento-me à minha mesa, desenho e crio. Estou lá, com meus artigos de arte,
meu computador e minha cafeteira, sou “eu, eu e eu”. Sou maníaco por controle
e adoraria inventar a fórmula perfeita para criar arte, mas não funciona assim.
É doloroso perceber isso, porque, no fim, basicamente, fico olhando para o papel e confio que…
algum momento louco acontecerá. A abstração deve ser
o conceito mais importante de arte. Penso: “Estou desenhando
uma caixa simples, porque adoro tudo que não é complexo.” Mas começo com milhares
de pensamentos diferentes e, um a um, descarto quase todos. No fim, fico com dois ou três,
essenciais à questão.
Mas a abstração, para mim, é se livrar de tudo que não é essencial. Chamo isto de "bom formato". Peguei esta figura de ferro de passar
e desenhei a partir dela. Mulher, homem… banheiro, homem forte, usina nuclear, caubóis e índios, vários esportes. O que seus professores achavam de você? Tive um professor muito difícil,
Heinz Edelmann, que fez Submarino Amarelo, dos Beatles. Ele fez pôsteres e livros incríveis. Um designer fantástico,
mas que não me encorajava. O maior elogio
que podíamos esperar era: “Não há nenhum problema aqui.” Para nós, era: “Isso!” Cresci, no sudoeste da Alemanha,
sempre desenhando. Eu queria acertar
o movimento e a proporção, criar coisas dinâmicas. Era meu objetivo. Realizar desenhos
hiper-realistas incríveis. Fui para a escola de Artes com essa noção. Mas meu professor, o Sr. Edelmann, deixou bem claro que não gostava
do que eu fazia. Eu fazia centenas de esboços
em blocos de papel e, a cada semana, ele via os desenhos e basicamente falava: “Não, não, não, não, este passa.” Isto era o que fazíamos na escola.
Havia um tema, como nariz de palhaço, e desenhávamos até não conseguir mais, com todas as variações. Mas percebi que não dependia
de algo muito simples, como um quadrado preto ou uma linha. Cada ideia exige
uma quantidade específica de informação. Às vezes, muitos detalhes
e muito realismo. Às vezes, apenas uma linha, um pixel. Mas cada ideia tem um ponto nessa escala. Digamos que queira ilustrar
um coração como símbolo do amor. Quando você ilustra
apenas com um quadrado vermelho, a abstração máxima de um coração, ninguém sabe do que está falando,
e não funciona.
Quando você é realista e desenha um coração de verdade,
de carne, que bombeia sangue, é tão nojento
que ninguém pensaria em amor. Em algum lugar entre
o quadrado vermelho abstrato e o coração de açougue, existe a forma gráfica
que se parece com ambos e é ideal para demonstrar
a ideia de “símbolo do amor”. O ABSTRATÔMETRO As capas da The New Yorker são
as mais importantes para um ilustrador. Assim que alguém vê a capa, vê a história e o artista, e o mais importante: o impacto cultural.
Esta foi minha primeira. Qual é a data? Nove de julho de 2001,
dia do meu casamento. Especialmente fantástico. Adoro porque é o desenho que vai na capa. Não há manchete, não há reportagem. Foi perto de 4 de julho de 2001,
a história do escudo antimíssil, os generais do Dr. Fantástico
que iniciaram a Terceira Guerra. Não há reportagem,
mas a ideia está na revista. Como se o palco estivesse vazio,
e essa fosse a imagem da semana. Minha segunda capa
deve ter sido esta aqui. É até estranho,
mas foi a mais emocionante, porque a primeira capa da revista
foi Eustace Tilley, um nova-iorquino boêmio de cartola. E pensei: “Tentarei fazer
o ícone de um ícone.” Transformei a borboleta
em um quadrado azul, sem sentido para quem não conhece o original. Acho que fiz vinte e duas. Jamais imaginei fazer vinte e duas. Há quem pense que, após duas ou três, de repente, seja apenas mais um trabalho. Não é. Porque é muito estimulante,
e nunca se torna fácil. Fale sobre a capa da The New Yorker
que está fazendo. É uma capa sobre realidade virtual,
mais para realidade aumentada.
A ideia é uma revista aberta,
de frente ou no verso. E, quando aproximo meu celular ou tablet, surge uma animação tridimensional. Pensei: “Não dá. São muitos níveis de metáforas
e desenhos para trabalhar. 3D, 2D e vai e volta, é físico.” Sabia que não dava para planejar. Não seria apenas uma ideia
para compor tudo. Tive que começar e pensar: “É bom ou flexível o suficiente
para dar o próximo passo?” Teoricamente, a revista se abre assim. Mas não vejo revista assim. Acho que ninguém vê. Então, pensei:
“Quando pego uma revista, olho assim, como um mundo para dentro e para fora. O que seria uma cena nova-iorquina
por dentro e por fora?” Percebi que o metrô possui janelas, pessoas sentadas, e que o metrô podia passar a ideia da revista.
É um plano por onde a pessoa entra e pode ver de dentro e de fora. Este é um táxi de Nova York, livre, como dá para ver. Está livre, mas deixarei ocupado. Está ocupado. Fica melhor todo preto e amarelo. Minhas cores preferidas. Gosto da limitação do Lego, essa limitação… da baixa resolução, como se fosse um desenho
em pixel tridimensional, que me agrada muito. Por que tantos trabalhos de Nova York? Começou com minha conexão. Foi a primeira cidade aonde fui sozinho.
Só existe uma cidade na vida
aonde você vai sozinho e a domina. Eu não tinha um tio, ou meus pais,
para me ajudar. Era meu lugar. NOVA YORK Mudei para Nova York em 1997. Para minha surpresa,
quando mostrei meu portfólio, as pessoas entendiam 99% do meu trabalho. Ir a um país a milhares de quilômetros e todo mundo entender tudo foi incrível. De um jeito estranho, senti-me em casa por ter mergulhado na cultura
dos EUA na infância, da música à arte, até a série Magnum. FACHADA SUL FACHADA LESTE E NORTE ESTÁTUA DA LIBERDADE SÉRIE METRÔ EMPIRE STATE
NO DIA DE S. PATRÍCIO A balsa de Staten Island. Quem já entrou nessa balsa sabe que é a essência
do primeiro momento de turista. Esse estilo é baseado em cultura,
em experiências compartilhadas. É mais interessante do que criar
um jeito novo e visionário de falar, que as pessoas precisariam decifrar. Adoro sentar próximo à janela
dessa cafeteria.
Gosto desse lugar desde minha primeira vez em Nova York. Era onde queria me sentar
e olhar para fora. Várias vezes, tentei trabalhar de lá, porque é como me enxergo: um artista em contato com a cidade. E há uma troca emocional com quem passa… e não funciona. O impacto no trabalho é zero. Na verdade, é confuso
e não consigo me concentrar. Nesse momento, percebi que minha vida real
e profissional não se misturam. Entendo o que está dizendo. Estou tentando resolver
como quem conta uma história. A forma como vejo algumas questões lembra montagens rápidas
de cenas bem fechadas, feitas rapidamente. Levando o dia, em um ritual,
como escovar os dentes. Podemos tentar. A ideia de uma câmera no banheiro
me deixa muito desconfortável. Eu não quero isso. Podemos fazer, mas seria doloroso. Não posso nem imaginar como me veria. Prefiro desenhar a mostrar. Quando comecei a trabalhar, havia prazos.
Nos primeiros dez anos, se eu tivesse que categorizar, foram 30%: “Queremos
que Christoph faça um desenho legal” e 70%: "Deu tudo errado e só temos doze horas.
Vamos ligar para ele. Ele terá uma solução
que não nos compromete e salva nossa pele do prazo.” Eu adorava esse tipo de desafio, principalmente em editoriais. Mas eu recebia muitas
ligações desesperadas.
Acho que Chuck Close falou:
“Inspiração é para amadores. Nós, profissionais, vamos trabalhar.” Gosto dessa frase,
porque alivia muito a pressão. Não se trata de esperar por horas
pelo surgimento da inspiração. É apenas ir trabalhar e começar. Então, algo incrível acontece ou não. O que importa é criar
a chance de algo acontecer. Você apenas precisa sentar, desenhar, tomar decisões
e esperar pelo melhor. É assustador quando tenho
meia hora para trabalhar. Criar um processo que me permita trabalhar
com qualidade quando solicitado é a única forma de sobreviver. Criar uma armadura ao meu redor. O único perigo da concentração e do trabalho árduo é não fazer as perguntas
realmente importantes. Estou tentando ser bom, mas estou tentando ser bom
em algo verdadeiro? É o trilho do metrô
com a saliência na lateral.
Vou colocar… alguém aqui. Quando ficamos aqui, no meio da noite, porque perdemos o último trem, envolto em assombrações, ao mesmo tempo amigas e inimigas. Amarelo é a cor perfeita para Nova York. Está nos táxis, na lateral dos metrôs. O contraste é perfeito. Conheci uma mulher maravilhosa, nos casamos e tivemos filhos. Temos uma rotina, nos cumprimentamos
quando ela sai e chega. Divirta-se. Estamos esperando você sair do quadro. Mas não faz mal. Até mais tarde. Acho que começou comigo e minha esposa. Tivemos um filho. E ficou mais assim. Depois, tivemos outro filho achando que seria como o primeiro, porque fizemos tudo igual, mas o segundo é totalmente diferente. E o terceiro é mais assim. PRIMEIRO VEM A BRISA… DEPOIS O BARULHO… VIVA! CHEGOU O PRIMEIRO METRÔ
QUE PEGAREMOS HOJE! Fiz um livro sobre a experiência
de pegar metrô com as crianças e como elas absorveram essa ideia. Acho que o que elas gostam no metrô, e eu também,
é estar em uma cidade enorme, mas aqui temos o controle.

Às vezes, somos assim. Às vezes, assim. Esperamos ser assim com mais frequência. Parece uma representação realista
da vida em família. Estou tentando criar um conceito
para a The New Yorker. Farei a capa sobre realidade virtual, algo que nunca fiz. Nesse caso, trabalharei em 360 graus
e em todas as direções, para poder olhar de vários ângulos. QUALIDADE
PAZ INTERIOR Para todo trabalho decente que já fiz, me lembro de ficar tenso e mal-humorado. Pior que isso: suspeito
quando me divirto trabalhando, porque sei que não é bom
para o resultado. Desenhando em duas dimensões,
pode-se trapacear. Esconder o que não se gosta
atrás de uma parede. Mas, nesse caso,
dá para olhar atrás da parede e ver toda a bagunça.
É um comprometimento sem fim. Os elementos não são aquele mundo
renderizado em 3D, que eu detesto, visualmente. Em que tudo se destaca
e cheira a plástico. Quero um desenho em tinta, plano, em que eu possa “andar” e que me cerque. Há muitas linhas desse lado. Jogue algo
mesmo achando que se arrependerá. Geralmente, é o mais interessante. Quando nada dá certo,
é só pôr caixas d’água. É um ótimo truque. É tão errado fazer com o pincel seco. Eu queria descartar o restante da pintura e fazer mais disso. Claro que estou atuando
para a câmera, agora.
Pronto, próxima cena. Convenci-me de que devemos
mudar de direção enquanto está bom. Eu tinha 30 e poucos anos,
era bastante ocupado. Sentia-me realizado, porém exausto. Ainda acho Nova York
o melhor lugar para trabalhar, mas não acho boa para reabastecer
o tanque criativo. Acho mais difícil se reinventar. Senti que a única forma
de crescer era relaxar. E, em 2000 e pouco, minha esposa e eu concordamos
que somente nos mudaríamos se fosse para Berlim.
Há várias galerias loucas, cujas obras não fazem
sentido nenhum, financeiramente. A mentalidade é totalmente diferente. Aqui é mais fácil não se preocupar
com a possibilidade de uma ideia. A fase mais intensa do meu trabalho foi quando me mudei para Berlim. Em um mundo perfeito, neste documentário, e isso vai deixá-lo enjoado, haverá um momento
de realidade sem alteração. Só um relance. Eu… Seria tão inadequado. Seria o mais distante de quem sou mostrar como escovo os dentes. Quando mostramos a realidade,
nós a matamos. Torna-se impossível
olhar de forma abstrata. É como no Snoopy,
nunca vemos os adultos. Só ouvimos vozes abafadas, e isso é perfeito, é incrível. Se mudarem o ângulo
para mostrar os adultos, eles podem ser perfeitamente
desenhados e escritos, mas tudo desmoronará. Sinto que já nos afastamos
e mostramos tudo, embora talvez eu não seja um adulto, mas acho que já mostramos demais. Se abrirmos mais ainda… Mas sua rotina e vida diária
inspiram muito seu trabalho. Acho que deveríamos ver. Acho que sim. Sinceramente, ninguém quer autenticidade. Autenticidade é trocar a fralda
de seu filho.
É fofo, no abstrato, mas na realidade… Só me importo
com o que acontece na página, porque quero que as pessoas
pensem em si mesmas, no que houve para criar aquela arte. Mas as pessoas querem ver sua vida real. Não posso filmar você
só na mesa, no documentário. Tudo o que acontece
entre 9h e 18h é essencial. Mas algumas coisas têm
de acontecer fora do estúdio. Como ir ao museu. A porta de entrada não é criar arte,
é experimentar a arte. Ter o mundo todo explicado, ou até melhor, virado de pernas para o ar, só de olhar pinceladas de óleo sobre tela. É o maior estímulo que conheço. Se experimentar arte já é tão incrível, deve ser muito bom criar. É assim que a escola de Artes nos atrai. Tudo o que faço é criar informação e imagens que mexem
com o que o espectador já conhece.
A ideia é nossas experiências se unirem, e as imagens serem um gatilho. Mas o problema da rotina
é que tudo começa a ficar igual. Sempre tento reinventar
como abordo a criação de imagens, como conto histórias, porque o público e eu
mudamos o tempo todo. Aos 12 anos, aprendi malabarismo sozinho. A todo momento, uma bola fica no ar. E odeio essa ideia de não ter controle.
Mas o não planejamento
abre uma porta nova. É muito difícil,
mas leva a momentos mágicos. Comecei um projeto no Instagram
chamado Sunday Sketches. Em termos de resposta, é o que tenho feito de melhor. Por outro lado,
é a coisa mais inútil que já fiz. Praticamente não exerço controle. Para meu trabalho, preciso de controle, preciso conseguir ajustar, planejar. Mas esses desenhos são “implanejáveis”. Os melhores acontecem quando vejo algo, andando em volta de uma luz
e, de repente, vejo uma sombra e algo acontece. Não dá para esboçar isso. Nunca fui um leitor, porque nunca quis fugir,
sempre quis uma vida real interessante. Até que li um livro, acho que chama The Invention of Slowness. É sobre um cara com percepção tão lenta que consegue ver sombras se mexendo. É um bom livro de ficção, mas o incrível é que, quando li, sempre que tirava os olhos do livro, eu sentia a visão do livro
em meu mundo real. O livro tornou minha vida
mais interessante. Isso também é arte, quando não se está criando
um mundo artificial. Você pega as coisas que conhece e quebra em pequenos elementos.
Eu reorganizo tudo e faço uma afirmação. Não com um monstro ou dragão, mas com um lápis. Venho da mídia impressa, e parece que ela sempre existirá, que as pessoas precisarão
de imagens, ser desenhadas. E, se eu resolver isso, estou feito. De repente, deixou de ser assim. Temos peças longas para internet,
animação. É meu trabalho ver se existe
uma forma relevante de contribuir com esse novo ângulo. Todos somos assim, o tempo todo. Fiz este aplicativo
nos últimos quatro anos. Eu queria fazer algo interativo, mas a questão é: quando dou muito poder de decisão
ao espectador sobre o que pode acontecer, ele geralmente tem ideias diferentes
e quer ser surpreendido. Essa é a graça dos livros:
a surpresa, o inesperado. Na minha seção de literatura,
tenho referências como Dom Quixote, Kafka, Moby Dick, Jane Austen e Homero.
Espero que as crianças gostem
tanto quanto os adultos. Algumas pessoas amam, e provavelmente algumas não. Algumas pessoas amam. Outras, não. É a vida. Parece que o criador de suas peças e o editor delas são duas pessoas diferentes. São! Preciso estar no controle
e ter uma noção clara de para onde estou indo,
por que algo funciona ou não. Por outro lado, percebi que ser
mais independente é necessário. Descobri que preciso desenvolver
essas duas personalidades, sendo um editor mais implacável
e um artista mais despreocupado. É fisicamente exaustivo,
mas coisas boas acontecem. Tiro um tempo específico de folga
para esse tipo de criação livre, porque é praticamente impossível
fazer com prazo. Eu basicamente me sento
em frente a um papel, e faço de tudo, sem medo. Há algo nisso que me faz
voltar para investigar. Criativamente, sou muito dependente
desses lampejos.
E só funciona com mais relaxamento,
sem uma tarefa, sem um prazo. Só criando, sem me preocupar muito com o resultado. Acho que nunca aconteceu comigo de tentar algo novo
com um prazo importante. Qual é seu prazo para a The New Yorker? Duas semanas. Será insano. Já estou estressado. Tenho visto muita realidade virtual e sempre penso:
“Nossa, muito interessante.” Vinte e cinco segundos depois,
perco totalmente o interesse. Esse é o maior desafio, agora. Não é modéstia dizer
que não me acho talentoso. É real, sou dolorosamente ciente de que não sou bom o bastante
para fazer algo sem planejar.
O pensamento geral é que fazer algo legal
nos deixa mais confiantes. Com ideias, costumo achar o contrário. A cada boa ideia, fica mais difícil, porque é difícil repetir. Não há como repetir. Aí vem o sofrimento. Quando acho que não sou bom
ou tenho medo de não ter ideias. Você é avaliado pelos momentos de sorte, e isso é muito doloroso. Você teve uma centelha três anos antes, o cliente pede para repetir, e você pensa: “Como? Ganhei na loteria e querem que eu ganhe de novo,
sob pressão, com uma arma na cabeça?” É algo que,
antes de pensar conscientemente, eu sentia: “Deus, eu sou péssimo.” Mas quando percebi que meus medos
podiam prejudicar o trabalho, decidi lidar com eles. “Relaxe, não exija tanto de si.” Discordo totalmente. Temos que praticar para ser melhores. Atletas e músicos praticam todos os dias. Por que seria diferente com os artistas? Às vezes, imagino o que aconteceria se eu tivesse que enfrentar
minha versão de 2006 em uma briga de bar criativa. Posso ter perdido
parte da genialidade juvenil, mas tenho confiança
de que acabaria comigo.
A tarefa era fazer uma capa
com realidade aumentada. Temos aquela realidade aumentada, mas esta capa também é, porque dá para ver a mesma cena
de dois ângulos, dentro do metrô. O que faço com um tablet,
faço com a revista física, como se a revista fosse a porta do metrô. A revista é uma extensão,
em vez do contrário. Sei como é complexo unir o diferente, como 3D e animação, e fiquei surpreso em como
chegou perto do que imaginei. A ideia da música pop
não é inventar nada, mas contar a mesma história
de uma forma mais interessante. Não compramos álbuns pensando: “Uma música sobre o amor,
nunca ninguém ousou fazer.” As pessoas cantam
sobre o amor há 500 anos. O que vale é fazer diferente, quando você sente: “Até agora, ninguém havia acertado.” Gosto da ideia
de recuperar cenas familiares, mas fazendo com que pareçam
totalmente diferentes, novas e verdadeiras.
Nos melhores momentos,
o design celebra o mundo. Quando vejo uma obra
que se conecta a meus medos, ansiedades e esperanças, posso dizer:
“Com aquele desenho, me sinto vivo, ou sinto que amo alguém ou tenho medo.” Meu objetivo é falar a língua visual como um pianista fala a língua do piano, como ele controla as teclas e transmite ideias e emoções diferentes por meio dessa linguagem. Tenho que lutar constantemente
para refinar o ato de falar… de transformar o mundo em imagens
e transmiti-las. Para isso,
tenho que produzir constantemente. E não acaba, porque a ideia de acabar é o oposto do que tento conquistar. Boa noite. Legendas: Karina Salomão Ferrari.


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