Hangout 2 – Curso online Design Thinking e o Protagonismo Infanto juvenil

Pode ir. ANGÉLICA: Boa noite! A gente está começando agora
o nosso segundo hangout do curso de Design Thinking e o Protagonismo Infanto Juvenil A gente está muito feliz porque hoje a gente
tem uma pessoa muito especial que é o Jefferson que é o professor que facilitou um dos projetos
ganhadores do desafio "Criativos da Escola" do ano passado E a gente está também muito feliz de ver
a cara dos nossos alunos e de poder interagir com eles. Realmente o mundo da internet é
alguma coisa absolutamente incrível Mário, você está onde? Que parte do Brasil? [silêncio] [interferências na emissão] … Mário…
microfone… isso agora. MARIO: Vamos lá. Eu estou no Rio de Janeiro. Num
município chamado Guapimirim, que é próximo de Teresópolis. É perto da região cerrana
aqui do Rio e é um lugar pacato.

Eu digo que é o fundo da Baía de Guanabara. A gente
fica entre Niterói e Caxias e a Baía de Guanabara no meio. ANGÉLICA: Ah, é muito bom. Jefferson e Andrea, digam para o Mário onde vocês estão. JEFFERSON: Estamos em Brasília, distrito federal. MÁRIO: Caramba ANGÉLICA: Então, a gente está por enquanto no triângulo São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro. ANDREA: É isso ai. ANGÉLICA: Vai ser bom porque a gente está em poucas
pessoas, então a gente vai conseguir fazer um conversa onde todo mundo vai ter bastante
espaço para interagir. É… Eu queria saber Andrea e Mário, o que vocês estão achando
do curso? Vocês querem comentar um pouco como está a experiência? Estão com alguma
dúvida? Antes da gente disparar algumas perguntas ai para o Jefferson.

Eu tenho uma. [risadas] Legal. É porque eu estou fazendo o curso já desde
o ano passado, eu tenho pensado e usado o Design Thinking nas minhas atividades. Eu
trabalho na Secretária Estadual de Educação e trabalho no setor que a gente chama de mediação
pedagógica, nos atendemos aos professores das escolas. Ano passado a gente só trabalhava
com tecnologia, com a parte mais voltada mesmo para informática, para o suporte de tecnologia
das escolas, e esse ano a gente está abrangendo também a parte pedagógica. Então a gente
faz mediação pedagógica nas escolas. E em uma das escolas que eu atendo a gente
teve o processo de ocupação e está discutindo essa coisa bem nova ainda no dia a dia da gente,
que é a questão do protagonismo dos alunos, nessa questão da ocupação, na resistência
dos professores, na falta de transparência das escolas, então o curso está me servindo como um background para poder interagir nessas situações. ANGÉLICA: Tá bacana. Fico muito feliz. Todo o que a gente
tem compartilhado com vocês são experiências e eu acho que o mais interessante é adaptar
aulas pro cenário que vocês estão vivendo.

Um cenário de ocupação é um cenário muito
frutifero. Na semana passada a gente conversou né? com a Aline e com a Sophia, que participaram
das ocupações e realmente a ocupação é um espaço que os alunos já estão com uma
predisposição muito grande por fazerem as coisas acontecerem né?, experimentar formatos
diferentes. Então, a gente espera muito que durante o curso a gente possa tocar e te inspirar
e que você também está contando como tem sido suas andanças e suas experiências com esse jeito de interagir com os adolescentes e com as crianças. MÁRIO: Ok. ANDREA: Então, eu estou apaixonada, mas eu sou apaixonada pelo trabalho que vocês fazem assim há muito tempo. Eu sou apaixonada pelo
André. Eu falo para o Jefferson que o André é o meu amor platônico. Eu conheci o André
numa palestra, num bate-papo que ele fez aqui no Funarte em 2014 e fez uma dinâmica muito
legal que ele trouxe um livro para mostrar, no meio do caminho ele ficou empolgado e resolveu
compartilhar o livro com a gente e cada pessoa que estava na platéia pegou três folhas
do livro, três páginas.

Eu tenho as páginas e tal. Achei muito legal e desde então eu
comecei… eu já conhecia o livro, em pdf, eu já tinha ele até, e ai eu comecei a me interessar mais. ANGÉLICA: Volta ao mundo? ANDREA: Oi? ANGÉLICA: Que livro que é? ANDREA: O "Volta ao mundo em três escolas". ANGÉLICA:"Volta ao mundo em três escolas". ANDREA: Ai eu comecei a me interessar cada
vez mais e o meu grande dilema hoje é como conseguir conciliar isso com as demandas da
sala de aula.

Porque as nossas escolas, elas não estão prontas para isso, né? Nossas
escolas, elas são formatadas ainda para uma educação muito depositária e essa ideia
desse compartilhamento do espaço né? Que parte do espaço para as ideias, para o movimento,
para ser dono do seu próprio corpo. Então eu tenho muito conflito porque ao mesmo tempo
que eu ainda tenho muito disso na minha prática, eu não quero ter. Então a minha busca hoje
é como que eu vou conseguir. Que eu queria muito poder quebrar a escola toda.

Começar
tudo de novo. Mas eu não posso, né? E o curso está me ajudando muito, assim.
A semana passada, eu fiquei encantada com as meninas. Fiquei apaixonada assim e é muito
legal o como elas humanizam a educação. Ouvir essa galera que participou dessas ocupações
é humanizar o nosso aluno, é muito legal, muito legal você perceber "caramba, como
a gente é opressor, como a gente reprime essa criatividade com a desculpa que a gente
está preparando eles para alguma coisa que nem é o que eles realmente tão afim". Então, foi muito legal, abriu muito a minha cabeça e está sendo espetacular assim. Eu estou
tentando consumir tudo que vocês estão disponibilizando, mas o meu tempo é muito curto, então eu
estou assim… Já conhecia o material de vocês, né? Já conhecia ele em pdf, e ai
o Jefferson trouxe um exemplar e eu tomei posse, ele é meu.

Já comecei a desenvolver
um trabalho com ele, mas ai eu fui convidada para assumir essa cordenação, ai eu dei uma parada e estou agora pensando como é que a gente vai retomar isso com os meninos do integral. Mas
assim, é muito legal e mexe muito, né? Eu fico sempre muito mexida com tudo, e muito,
e sempre pensando como é que eu vou, como é que eu vou trazer isso para a minha prática.
Isso é uma coisa muito legal, porque tirar o professor do lugar de conforto dele é difícil,
é muito difícil, mas quando acontece também é uma ebulição, assim. A gente não tem
controle de como isso… ANGÉLICA: Porque não tem volta né Andrea? A impressão que eu tenho é que não tem volta…

A hora que… ANDREA: Não, não tem. Não tem volta porque
você não consegue mais ver do mesmo jeito e ai o espaço te obriga, exige e insiste,
mas você vai estar o tempo todo transgredindo. Acho que essa é a palavra. A palavra que
a gente julga, que está muito no universo da junventude, que na verdade está no universo
de todo mundo: o transgredir é você sentir essa coisa que vem de dentro, que está mexendo com você e ai de alguma maneira isso vai escoar, né? PRISCILA: Exato.

ANGÉLICA: Eu acho que essa pergunta, essa
dificuldade que você traz de como… Vamos dar primeiro as boas-vindas a uma nova integrante:
a Fabiola. Oi Fabiola! FABIOLA: Alô, boa noite! ANGÉLICA: Tudo bem? FABIOLA: Tudo ótimo. Cheguei um pouquinho
atrasada, porque eu cheguei da rua correndo, mas eu estou aqui. ANGÉLICA: Não, sem problemas. Só queria
te dar as boas-vindas. A gente está fazendo uma roda aqui de conversa, então a hora que
você quiser entrar e falar alguma coisa, fica a vontade. A Andrea estava comentando
e um dos aspectos que ela comentou é esse desafio de como levar propostas como essa
que o Criativos traz para a sala de aula dentro de um contexto que te pressiona a ser conteudista.
Então você tem x aulas na semana, você tem uma grade de conteúdo para cumprir no
ano e ai como que você vai ocupar uma das suas aulas com projetos como esse que roubar
o tempo do conteúdo, né? Então, eu acho que o primeiro incomodo é…

O primeiro dilema
é esse. E ai, no curso a gente já até está fazendo um exercício: logo no começo a gente
discutir um pouco: nesse momento que a gente convida os alunos para refletirem sobre o mundo,
sobre a realidade deles e sobre o que eles gostariam de mudar, essa escolha dessa temática,
ela pode partir do guarda-chuva temático da disciplina, né? Então, a gente tem uma
experiência aqui em São Paulo: tinha um professor que foi um dos primeiros professores
que fizeram o projeto seguindo a metodologia do Criativos, que é o professor Carlos Amorim,
que é de uma escola pública de São Paulo: a EMEF Padre José Pegoraro, ele é professor
de geografia. E ele desenvolveu o projeto ao longo de um ano inteiro, e ai ele estava
trabalhando a temática da industrialização, do surgimento das grandes cidades, dos problemas
da urbanização e ai dentro desse contexto, ele conta para a gente, ele tinha que ensinar
o que era IDH, ele tinha uma série de conteúdos, mas ele puxou a discussão dessa temática
para a realidade dos alunos.

Então, eles vivem num bairro de São Paulo, que foi um
bairro que surgiu em função da industrialização da cidade, atraiu um monte de imigrantes.
Então, eles começaram a discutir os problemas da urbanização a partir da realidade deles.
Então eu acho que tem sim esse desafio, por isso que a gente fala que as referências
que a gente está trazendo no curso são apenas algumas referências, algumas sugestões,
mas são vocês que estão lá na sala de aula, que conhecem as características da
escola, as potencialidades das escolas, as restrições, às vezes, do espaço, que vão
conseguir melhor adaptar essa proposta, essa filosofia, eu diria, para a sua realidade.
Então no caso do Carlos, ele desenvolveu um projeto que foi ao longo do ano, e ai ele
foi puxando: num primeiro momento, os alunos trouxeram fotos do bairro, mostrando aspectos
do bairro que eles gostavam, ou que eles não gostavam.

E ai começaram a surgir os problemas
do trânsito, da falta de canalização do esgoto. Então, nisso ele foi conseguindo
fazer esses paralelos do conteúdo, então é sim um dilema, eu acho que a gente parte
desse dilema, mas é um dilema onde vão se abrindo caminhos, né? E aos poucos o educador
vai construindo a sua própria prática inspirado nessa filosofia que é uma filosofia de escuta
maior do aluno e de participação mais do aluno na realidade. Alguém mais quer comentar
alguma coisa? PRISCILA: Mais uma participante entrando, a Adriana.
[silêncio] Adriana, boa noite! Ver se ela nos ouve? ANGÉLICA: Eu acho que a gente…

Não entrou ainda,
né? PRISCILA: Ainda não, mas podemos continuar, que daqui a pouco ela fala com a gente. ANGÉLICA: Então, a gente, enfim. Esse é primeiro hangout que a gente está fazendo no formato que a gente consegue interagir, conversar mais,
então a gente espera que tantos nesses hangouts, quanto nos fôruns, a gente tenha espaços
para discutir esses desafios e essas dificuldades, né? Porque eu acho que quando a gente começar
a perceber as semelhanças que a gente tem, que as dificuldades não são só nossas,
a gente começa a pensar junto e aprender junto, e é esse o objetivo do curso, né? FABIOLA: Então, é…

Eu posso falar? ANGÉLICA: Pode, claro, Fabiola. FABIOLA: É, eu estava te escutando agora
e justamento trazendo para a minha realidade, né?… essa questão. E eu estou agora junto com um grupo inciando, a gente está na fase de planejamento, justamente o curso está sendo
muito interessante porque eu estou tendo a oportunidade de replicar esse conteúdo com
esse grupo. Somos onze pessoas. ANGÉLICA: Que legal! FABIOLA: E esse grupo se formou a partir de
um projeto chamado "Festival Imaginário Sementes Livres: Criança, Criatividade, Natureza"
que aconteceu mês passado.

E a gente foi convidado a realizar um projeto, a realizar
oficinas dentro de um projeto com jovens de uma região daqui do Espírito Santo, que
é na Serra, né? Que é uma região, que se a gente coloca lá no Google o nome do
bairro, que é Jardim Carapina, vem realmente imagens de homicídios, violência né? Então,
os objetivos do projetos é a gente poder trazer um pouco essa outra imagética a respeito
do bairro, das potencialidades e tal. E a gente com esse objetivo veio propondo justamente
que, porque também a gente falando de educação popular, de cultura popular, a gente veio
propondo iniciar os trabalhos trazendo um bocado da realidade e propondo algumas intervenções
dentro da comunidade, a partir do que os jovens fariam, porque eles vêm no contraturno da
escola né? Só, que mesmo assim estando num projeto que não é dentro de uma escola,
mas é conectado com a escola e que se proprõe a ser o mais aberto possível, a gente encontra
por exemplo as necessidades da organização.

Eu sinto que muitas vezes da organização:
que propõe o projeto, de fazer com que o espaço dela se torne interessante, demonstrando
as práticas do projeto neste espaço e não na comunidade. Ai assim, agora a gente está
no desafio que é de justamente pensar quais são as possíveis abordagens para a gente
valorizar as potencialidades desta juventude que vem para o projeto.

Fugir. Só que agora a gente tem que fugir do esquema da escola e da organização da qual a gente está trabalhando. Ai assim,
eu estou vendo que os desafios eles vão se multiplicando na verdade, sabe? E vejo que
muitas vezes os tantos projetos socio-ambientais, educacionais de fora da escola primeiro pensam
em si, assim como a escola primeiro pensa em si e depois pensam nos meninos e nas meninas que vão estar no projeto. Assim, eles só meio que, é só uma ferramente para eles realizarem o que eles pretendem, sabe? Isso é um grande desafio, assim. Para mim, o curso está…
eu queria muito chegar nisso, assim: como fazer uma abordagem que realmente dê espaço de, não
que dê as falas para as pessoas, mas como gerar realmente um espaço de escuta para
esse juventude né, a ponto de que eles sintam parte do processo e com potência suficiente
para atuar assim na realidade.

ANGÉLICA: Quando a gente abre esse espaço
para os jovens falar, isso claro que gera uma incerteza, porque a gente não sabe o
que eles vão colocar, quais são os aspectos, e eu acho que a gente se colocar enquanto
adulto numa posição que não tem o controle, nos coloca em uma situação de risco, ainda
mais quando você está num grupo, numa organização. Então você é responsável por aquele grupo,
que tipo de projeto você vai fazer, então é realmente a gente se acostumar com esse
lugar que você não consegue controlar tanto e esse é um lugar que a gente tem dificuldade
de estar às vezes, né.

FABIOLA: Exato. ANGÉLICA: E você comentou que você está replicando, e vocês estão em uma etapa de planejamento e a intenção é no segundo semestre? … fazer
o projeto com os alunos. Tem algum plano já, assim? FABIOLA: É, a ideia é já começar agora
em Julho, no inicio de Julho. Então, eu estou dizendo assim, estou replicando o máximo
possível dentro do que está vindo de informação, né? daquele material que já foi colocado.
Então, eu levei, a gente fez algumas leituras.

Eu tenho mostrado as mensagens do fôrum,
os objetivos do curso, a gente navegou na página, vimos videos, né? Assim, tentando,
tentando mesmo à distância, dialogar com esse conteúdo que já está sistematizado,
que para a gente é muito interessante. ANGÉLICA: Esse projeto que eu contei rapidamente
do Grajaú, ele também quis justamente ter esse olhar para a comunidade e valorizar as
coisas positivas do bairro porque o Grajaú é um bairro da periferia aqui de São Paulo
e já foi classificado, acho que duas vezes, duas pesquisas consecutivas – uma pesquisa
que usa vários indicadores sociais – como pior bairro para se morar, então esses alunos
até produziram como produto final dessa disciplina que eu falei do professor de Geografia…
O produto final deles foi um vídeo, um documentário, que chama "Grajaú, onde uma história começa",
onde os alunos entrevistaram uma série de moradores do bairro [interferência na amissão]
… comunitárias. Eles queriam fazer um vídeo para mostrar para as pessoas que o Grajaú
não era o pior bairro para se morar.

E você começou a falar ai da região, que se a gente
dá google sai a questão da violência como o aspecto que a região acaba sendo conhecida,
então é realmente, eu comentei esse nome do vídeo porque pode ser um material interessante
de vocês assistirem e olhar que essa discussão reverbera em outros lugares, né? E a proposta
do Criativos é justamente abrir esse espaço para olhar o nosso mundo, o nosso mundo assim…
o nosso micro-mundo: do bairro onde a gente mora, da nossa escola, da nossa cidade e começar
a refletir sobre esse lugar, e como que a gente gostaria de atuar nesse lugar.

Então é muito
legal ver que a gente está em sinergia. PRISCILA: Angélica, só falar que a Adriana está em
BH, ela está sem câmera, mas ela está aqui no chat participando e o Wander acabou de
entrar também. Wander, de que cidade você está falando? Você está nos ouvindo? Não
sei… ah… ANGÉLICA: Ele está ouvindo, mas está sem
microfone. PRISCILA: Ele está ouvindo, mas está sem microfone. [silêncio] ANGÉLICA: Eu acho que seria interessante.
Eu vou puxar uma… ANDREA: Ah, ele está em Brasília. ANGÉLICA: Olha, ele está ai. Vizinho de vocês. ANDREA: É, pois é. JEFFERSON: Nosso vizinho. ANGÉLICA: Eu vou puxar uma pergunta para o Jefferson, porque a gente está falando desses desafios e dessas dificuldades, e eu acho que o Jefferson, ele enfrentou muitos desafios, muitas dificuldades, com esse papel, né? do [interferência na trasmissão do som], do espaço. Então, eu vou puxar uma pergunta e Jefferson, eu queria que quando você respondesse, você contasse também um pouquinho o que foi o projeto, porque eu acho que talvez nem todo mundo conheça.

É, eu queria Jefferson que você contasse um pouco da história do projeto – que eu comentei para vocês que foi um dos projetos que foi foram vencedores do desáfio "Criativos da Escola" do ano passado. Eu queria que você
contasse assim quais foram as dificuldades que você passou? ; quais foram os desafios? ; como você se sentiu principalmente nesse começo, onde você recebeu uma provocação
de um aluno para ter uma prática dentro da sala de aula diferente? ; e como que você se sentiu,
assim, quais foram os seus sentimentos? ; e que você fosse contando a história, comentando
como esses sentimentos foram evoluindo, né? : como você se sentiu num primeiro momento,
depois num segundo momento como que você se sentiu e agora, como que você se sente – para a gente
entender essa história a partir dos sentimentos de um professor. JEFFERSON: Ok. Esse projeto, eu acho que
um dos meus maiores medos além de todos esses dos colegas. Mas a grande maioria dos colegas
é da rede pública de ensino, eu sou da rede privada.

Já trabalhei na escola que a minha
esposa trabalha, Andrea, como contrato temporário, mas eu não trabalho mais com contrato, agora
eu sou da iniciativa privada. E eu fui contratado por essa escola para que eu conseguisse reduzir
o índice de repetência e recuperação em história, que era o segundo maior índice
da escola. Então já era uma prerrogativa da minha contratação. Eu já fui contratado
com essa permissa, com essa pressão, e eu falei que eu topava esse desafio, só que
eu não marqueio nota que eu ia conseguir fazer que os meninos conseguissem. Essa era
a minha intenção.

Fizemos vários projetos nossos, outros que eu já trabalhava
na escola: cine-debate, cine-debate história, curta história, produção de hq, e vários…
como é uma escola particular, então eu dou aula do sexto ano ao médio, e todos os outros
segmentos a resposta foi bem positiva e foi rápida, porém para o sexto e sétimo ano,
a gente não conseguiu no semestre reverter esse processo de recuperação e eu comecei
a ficar preocupado, porque eu perguntava para os meninos, eles diziam comprender, diziam
gostar de mim, gostar da aula, mas eles não conseguiam ver na verdade…

Foi uma palavra
do aluno foi essa … "eu não consigo ver motivo para que Roma tenha relação com a
minha vida". E eu tentava explicar toda essa questão do direito brasileiro, o direito
romano, da questão das colonizações, império. "Não professor, mas na minha vida de hoje
isso não tem significado". Isso bateu muito na minha cabeça durante muito tempo e ai
eu estava entrando em processo de desespero, eu falei "Carol, eu vou perguntar para os
meninos, o que que eles acham, como que poderia ser". Ai numa aula a gente conversou sobre
várias coisas, a gente… eu gosto de ter uma aula onde a gente possa conversar porque
normalmente esse transcurso de tempo não permite. Eu falei para eles, eu lancei o desafio para que cada aluno me dissesse como seria uma aula legal. E ai sairam várias coisas malucas:
desde que vamos dormir a aula inteira, vamos assistir a novela, vamos…

Um monte de coisa, e todas
eu ouvi, nenhuma eu questionei ou falei que era maluquice, eu ouvi com a maior seriedade
do mundo possível, alguns ficavam com vergonha e me davam bilhetinhos, e eu levava para casa. E ai no meio, numa dessas aulas à tarde, um aluno chamado Gabriel falou assim "professor, você
não gosta de video-game?" Falei "gosto". "Pô, porque a gente não joga minecraft?"
Ai foi… quando ele falou isso, ele atiçou pólvora na sala. Foi tipo isso. Todos eles
falaram "É, é, é isso, é isso, isso.". E começou a vir uma chuva de ideias e ai eu me vi entre
a cruz e a caldeirinha com essa provocação dele porque eu até tinha o XBox, mas eu não
conhecia o jogo assim, não sabia como ele funcionava. E ai eu me vi naquela questão
de que é uma escola particular, os pais pagam mensalidades e o pai ia falar assim, tipo
"O meu filho fica o dia inteiro dentro de casa e agora eu estou pagando uma mensalidade
alta para ele ficar jogando video-game dentro da escola".

E a minha primeira resposta foi
não, que de jeito nenhum, isso não ia funcionar, não ia dar certo porque eu ia ter muito problema
com as famílias e com a escola,. A direção da escola não ia permitir que isso funcionasse.
E ai eles falaram "E se a gente conseguir mostrar para o senhor que é possível, o
senhor topa?"; e eu "Bom, se vocês conseguirem, tudo bem". Eles criaram entre eles, por iniciativa
deles, um grupo no skype, por uma call, que eles falam, uma chamada no skype, e no whatsapp
para eles resolverem entre eles quais proposições que eles iam fazer para mim.

E ai, a gente
estava no final de Julho, e eles fizeram nas férias – que foi uma parada que eu achei muito
legal. Durante as férias, eu estava de noite, sei lá dormindo, vendo
filme, o celular pipocava, era alguma ideia sobre o projeto. E ai a cada negativa que
eu dava, eles conseguiam uma solução para cada negativa. "Ah, professor, vamos fazer
com o computador" Eu falei "Cara, a escola não tem sala de informática". Ela tem uma
lousa digital, que é uma tela perfeita, magnífica touch, mas ela é um só computador.

"Não
professor, a gente leva o computador". Só que uns alunos tinham computador e outros
não tinham. Até que eles encontraram todas as soluções. Então uma coisa, ai eu também
comecei a mudar a minha preposição: do não virou talvez, do talvez pode ser viável,
e ai a gente foi construindo junto com eles… porque eu falei para eles que podia funcionar,
mas que tinha que ter a questão do conhecimento. Que a função da escola é que a gente possa
produzir conhecimento juntos. E ai, eles chegaram à ideia do XBox, a gente trabalhava… eles
me falaram que tinha que ser um cabo HDMI, que eu não sabia que fazia diferença do
cabo que você usava para a quantidade de tela. E ai a gente conseguiu desenhar o projeto,
os meninos desenharam o projeto junto comigo.

Quando a gente voltou de recesso, ele já
estava quase mais ou menos dentro da forma que eu achei que ele podia funcionar. Apresentamos para
a direção e para a cordenação da escola. A nossa antiga coordenadora Carol é fantástica,
topou, comprou a briga, e a direção, ela aceitou, ela ficou meia que sem saber se ia
funcionar, e ela aceitou. E eu me enchi de alegria e esperança. A aula vai ser massa,
não vou ter problema, e o primeiro dia foi desesperador, parecia o pandemônio a sala
de aula, menino gritando, menino correndo, o controle no chão, e eu não queria ter
aquela tomada energética, eu não sou de gritar em sala de aula.

Ai a aula terminou
e eu beleza. De manhã foi assim, de tarde eu fui nas outras duas salas, do mesmo jeito,
foi assim. Cheguei em casa chorei, fiquei – sou muito chorão – chorei, não sabia o que
fazer, não vai dar certo, ai meus dois outros dias era como eu vou conseguir dizer para
eles que o projeto não vai funcionar porque não está dando certo. E ai quando eu falei
"Gente, eu acho que o projeto não tá legal, não está dando certo, isso na outra aula,
no sexto ano da manhã". E um aluno falou assim "Professor, qual o problema que você
está vendo?" Ai a gente, foi legal que a gente levou para a sala, a mesma problemática
que a gente estava fazendo no skype, anotamos todos os problemas, eles relataram vários
problemas que eles viram e ai toda aula a gente colocava aquela listagem e eles começaram
a seguir e ai o projeto ele funcionava mais ou menos assim… duas semanas… Eu tenho três aulas na grade horária: duas aulas a gente tinha a parte teórica e uma aula parte prática.

E ai nos fizemos um acordo que naquela aula teórica, teria que ser a melhor aula do planeta.
Sou professor de história, com o sexto ano a gente estava trabalhando Roma, Grécia,
desculpa, Roma, e com o sétimo ano, a colonização e os engenhos. Ai a gente tinha essa aula
que eu passava o conteúdo, explicava toda a matéria, corrigia exercício e na outra
aula eles precisavam tornar, criar dentro do jogo aquilo que a gente via: falamos de
engenho, eles precisavam criar em blocos, por isso que eles deram o nome junto com a
Carol "História construídas em blocos", porque conforme a aula ia, eles iam contruindo,
e ai foi muito legal a construção, porque como a tela só divide em… a tela do minecraft,
no XBox, ela só divide em quatro pedaços, então os alunos precisaram se dividir em
grupos. Eles escolheram o rank, em tipo o quão bom eu sou para que no mesmo grupo eles
tivessem, como eles falavam – já estou craque na linguagem – do noob ao op, o noob é o
cara que não sabe nada, o op é o cara que manda tudo.

Então todo grupo tinha de tudo.
E ai a gente levou tudo aquilo que não podia na sala de aula para dentro do projeto, podia
levar câmeras, celular, filmadora, ai tinha os mídias que ficavam gravando entrevista.
Todo o material que a gente tem do projeto é produzido por eles: os vídeos foram feitos,
foram editados, gravados. O projeto chegou numa situação, no final do ano, que eu era
um espectador. Minha função era essa: chegar na sala, dizer o que eles deveriam criar,
se já não tivesse dito, ligar o XBox, sentar e assistir, porque eles já conseguiam entre
eles, entre o rodízio de quem ia fazer o que, tocar o projeto.

E ai foi legal, também foi complicado
para mim porque veio no final do ano uma comissão de alunos das outras turmas reinvidicar porque
é que eles foram renegados do projeto, porque que eu só fiz com as turmas, e hoje ali funciona
em todas as turmas da escola. Então assim, foi muito difícil, muitas vezes eu usei meu
próprio video-game, minha própria XBox aqui de casa. Agora com o prêmio do Criativos,
a gente ganhou um XBox, mas a gente conseguiu comprar quatro controles, porque a gente não
queria, a gente queria fazer uma big-festa. Então a gente não queria usar a grana do
prêmio para isso, então a gente conseguiu fazer um dia inteiro, eles escolheram, foi
muito legal a festa, eles escolheram o que ia ter para comer, que dia que ia ser, quem
podia, quais os brinquedos que eles queriam, então quando eu falei do dia que eu falei
com a Carol d'Alana, que eu me sinto honrado por eles me permitirem participar, é verdade,
porque assim, eu não consigo falar tipo "O meu projeto", o projeto é deles, eu fiz parte,
então é nosso, mas, é toda essa construção é muito legal.

Ai agora a gente está fazendo um processo para os novos projetos, e ai muito bonitinho, eu recebi um monte de cartinha,
assim "Professor, por favor, leia o meu projeto", "Professor, veja se é viável". Então assim,
eu agora não tenho mais nome na escola, eu sou o professor do Criativos. Eu passo na
creche que eu dou aula do sexto ao médio, eu passo na creche, os moleques "Professor,
quando é que você vai trazer o Criativos para a nossa turma?" Então, assim é muito
bom, mesmo. ANGÉLICA: E é muito interessante como essa
preocupação que eu estava falando do controle, da coisa de controlar, da gente se organizar,
de ter regras. Eles tomaram o auto-controle, eles criaram a dinâmica, os combinados, eles que criaram… e depois com a execução desses combinados fica muito mais fácil,
porque partiu deles, né? JEFFERSON: Cumprir, você precisa cumprir
o que promete, isso é legal. Teve um dia que foi interessante, Angélica, que a gente
não conseguiu concluir a correção das atividades e ai no outro dia do que era o projeto, eu
cheguei com o que era…

A gente ainda não tinha uma sala, eu andava com uma caixa enorme
com o meu material do projeto… ai quando eu cheguei com a caixa do material, e comecei
instalar, ai um moleque levantou a mão, ai ele falou "Professor?", ai eu falei "O que
que foi?", "Mas hoje tem projeto?, ai eu falei "Tem gente, é aula simples, hoje dia do projeto",
"Não, mas aula passada, a gente não conseguiu concluir o conteúdo, então a gente tem que
terminar o contéudo e essa semana a gente não vai ter o projeto". Eu achei assim muito
lindo, porque eu tinha esquecido, mas era um acordo que a gente tinha, então, quando
a gente cumpre o acordo, eles retornam.

E outra coisa que eu também percebi, como a
gente é intolerante com essa participação: professor vive querendo "ah, eu quero aluno
que participe, eu quero que participe… mas eu quero que ele participe e que fale quando
eu quiser e que ele fale o que eu quiser ouvir". Então quando a sala começa a ter um burburim
maior, a gente acha que é bagunça, às vezes não, os meninos estão conversando sobre
aquilo, a gente "ah não, porque está fazendo barulho". Então já algo que já é certo
na minha sala, silêncio absoluto, você corre, a gente está assistindo filme, do contrário
não, a sala ela tem diálogo o tempo todo, mesmo quando não está em funcionamento o
projeto. ANGÉLICA: Pri. Eu vi, só que sumiu para mim, acho que o Wander fez uma pergunta para o Jefferson, não fez? PRISCILA: O Wander comentou aqui que é muito rico esse processo que o Jefferson acabou de contar para nós e ele faz uma pergunta: "Se o Jefferson
poderia falar de como esse processo reverberou na direção ou coordenação pedagógica?".
Ou seja, como que a gestão recebeu essa super ousadia sua de entrar nessa novidade, nessa nova, de criar essa nova metodologia a partir da demanda dos alunos? JEFFERSON: É, foi muito interessante porque
primeiro, a direção, ela não diz não, ele descreve o projeto e manda para mim que
eu vou olhar, e projeto acho que fica lá durante um período, mas assim, a maior força
que eu tive foi da coordenadora, que infelizmente saiu da escola, ela mudou do país, não está
mais com a gente no Brasil.

E ai, ela comprou comigo, e ela já tinha muitos anos na escola,
então ela acreditou, então o processo de você ter um coordenador que te apoie, ele
é fundamental. Sem o apoio da coordenação, não sei se conseguiriamos. A direção ficou
meio com o pé atrás, porque ela tinha o mesmo receio que eu tinha no princípio, que
era reclamação por conta dos pais, de o aluno estar pagando para jogar vídeo-game
ou de não ser necessário, e ela pediu para a direção, para a coordenação, que as minhas provas, minhas avaliações formais fossem muito bem acompanhadas, para que não parecesse
tipo, todo mundo fez o projeto então todo mundo passou. Então inclusive, eles pegaram
avaliações do mesmo período que a escola tinha do outro ano anterior, para verificar
se as avaliações que eu estava aplicando tinham o mesmo nível de dificuldade das outras
avaliações, tipo assim "ah, ele está com esse projeto maluco, então ele vai facilitar
os meninos passarem".

Porque o lance era passar, né? É um problema que a escola tem, é tipo,
o aluno passou, é menção. Ai eles foram avaliados dentro do projeto com um valor
menor que era participação, mas a avaliação maior era a prova mesmo. É uma briga minha
e da escola, é esse peso máximo em cima desse instrumento que não diz tanto coisa
assim para mim: que é a prova. E ai eles, foi muito legal quando a prova, eu não corrigi
sozinho, a Carol me ajudou, porque eu acho que é legal, eu falei "Vamos Carol, vamos
corrigir juntos", para que fique tudo muito claro, ne´? E ai quando a gente foi corrigir as provas, eles usaram o projeto para responder as questões: "Professor, eu consegui lembrar
do engenho e da senzala porque quando eu estava construindo eu tive uma dificuldade porque
eu queria usar tal produto e tal produto não tinha, então por causa da cana de açucar".
Então eles conseguiram dentro da prova responder essa questão.

Quando a gente conseguiu zerar
o índice – que esse bimestre foi zero o índice de recupeção, o terceiro bimestre, nas quatro
turmas, e no ano passado, esse galera, tinha vinte e dois alunos, das quatro turmas, em
recuperação de história. Ai foi a primeira coisa que a diretora falou foi assim "Como
é que a gente vai implantar nas outras turmas?" Porque ela achou muito legal esse índice,
e ela ficou muito feliz e ela topou, ela tinha um certo receio, mas ela acabou aceitando
porque eu consegui embasar, é importante que você consiga provar que é possível.
Mesmo eu morrendo de medo…

Eu só conseguia dizer que eu tinha medo para a Andrea, mas
lá na frente para os meninos e para a escola não. "Está certo, vai dar tudo ok". É o
meu emprego . Caso desse um problema muito grande, inclusive eu podia mesmo até ser
demitido, é uma instituição particular. E ai quando a gente ganhou – ela ficou muito
feliz quando a gente conseguiu esse índice – mas quando a gente ganhou o Criativos da Escola,
foi assim um divisor de águas. Eu nunca vou esquecer, foram dois dias: foi o dia que me ligaram,
eu estava no banco, para falar que estavamos entre os cinquenta e que era para fazer mais
uma entrevista pelo telefone, foi muito feliz, eu já ali me achava um vencedor porque eu
não acreditava que seria possível; e quando no dia da divulgação dos resultados, o pessoal
da Ana ficou judiando da gente, era no dia onze, e tipo, eu dei aula nesse dia e ai, nesse dia eu dei doze aulas – seis aulas de manhã e seis aulas de tarde.

Ai eu falei: "Olha,
eu vou dar aula com o meu computador aberto." Eu ficava todo o tempo na aula apertando F5,
dando refresh na tela, para ver se sai o resultado. E ai quando saiu, eu não acreditei, ai eu
coloquei na lousa grande para os meninos lerem. Ai foi assim uma catarse: saiu todo mundo
gritando dentro da escola, eu só vi o pessoal do apoio, da direção assim "aconteceu alguma
coisa? alguém morreu?".

E ai ela hoje em dia, a direção da escola, ela é apaixonada – três
coisas que ela está assim muito apaixonada – : com Criativos, ela acompanha agora, ela
faz parte, ela não permitia de princípio que o projeto funcionava, agora ela faz parte,
ela sabe em que pé que está, o que eles está fazendo, como está fazendo, isso achei
muito legal, ela se apaixou por isso; ela se apaixonou pelo Catraquinha, que é o parceiro
do Instituto Alana, ela acompanha, ela posta, imprime as matérias do Catraquinha, espalha
pela escola.

Então hoje a resposta é muito positiva, mas no princípio ela foi meio reticente
assim, assim como eu também estava. Mas eu já tenho trinta e sete anos, então assim
tem muita coisa, é muita escola que não vai me caber, eu já sei disso. Já teve escolas,
depois que eu ganhei o Criativos da Escola, que eu ganhei não, que a escola ganhou, perdão,
eu recebi cinco convites de outras escolas para trabalhar né? por causa da mídia, saiu
em alguns jornais, e algumas escolas, eu sei que eu não, minha prática não adianta,
eu vou perder tudo isso que eu tenho. Essa liberdade de trabalho. Nem todo lugar vai
me caber, isso eu já sei. ANGÉLICA: É, eu acho que é bem interessante
uma coisa que você traz Jefferson, como a gente precisa ir lá, fazer, para ai depois
começar a perceber os defeitos e conseguir convencer.

Você teve o apoio desde o início
da Carol, que era coordenadora, mas o apoio da direção só veio depois. É claro que
enfim, você contou toda a história. Teve… tem sim o fato da premiação, mas independente
do fato da premiação, você teve resultados, então você zerou, você foi lá, você foi
contratado para zerar as recuperações e as reprovações na disciplina. Então, como
realmente às vezes a gente espera ter uns aliados desde o começo no projeto e às vezes
esses aliados não vêm.

Você teve a sorte de ter uma coordenadora, mas às vezes a coordenação
não está junto, nem a direção, e ai é esse processo mais devagar, que você… Às vezes
você não consegue nem convencer outros colegas, outros professores de outras disciplinas,
a fazer um projeto conjunto, né? JEFFERSON: Agora, isso foi uma coisa interessante,
Angélica. Eu recebi mais apoio da coordenação, do que de alguns colegas. Todos os colegas massa,
acham bonito, acham legal, mas por exemplo, até hoje, nenhum topou ser parceiro
mesmo, porque daria para funcionar em outras matérias. E tipo, não é meu, não precisa
me pedir. A sala está lá, então daria para funcionar em outras disciplinas e isso ainda
não acontece, como também é muito comum, inclusive esses dias eu estava, a gente tem
toda aula de filosofia, de sociologia, a gente estava falando sobre essa questão de você
fazer porque você acredita, e nesse mesmo dia, eu já ouvi colegas, que colegas falam
que você é bobo, porque você faz além daquilo, porque como é uma empresa você faz,
você está trabalhando de graça. A gente teve agora a Olimpíada de História, então
ia no contra-turno para fazer oficina de história com os alunos.

Para alguns colegas é como
se eu tivesse comentendo um crime para toda, todo o meio de professores, porque eu aceito
estar numa escola e não receber, sabe? então, é você saber que você vai fazer e pronto,
quem achar legal beleza, quem não achar também tudo bem. ANGÉLICA: É, eu acho que isso mostra como
o ambiente, ele vai colocando dificultadores, além dos dificultadores internos né? É
muito interessante ouvir a sua prática, os dilemas que você tinha: como que eu vou propor? ; como que
eu vou ser visto pelos pais? ; como que eu vou ser visto pela direção? Então, a gente
se impõe uma série de barreiras e de obstáculos e os outros nos impoem, então é realmente
um ambiente que nem sempre é favorável, mas você vê como todos os alunos foram grandes
aliados, porque na verdade foram eles que te ajudaram a superar todas essas barreiras,
então eles se tornam aliados e ai você efetivamente consegue construir uma prática pedagógica em conjunto, né? JEFFERSON: Que é mais importante! Quando
o professor ele consegue…

Muita coisa eu aprendi com o projeto, muita coisa. Uma delas
é você realmente valorizar o que o aluno fala, mas valorizar verdadeiramente, ouvir
mesmo, olhar no olho do aluno. A gente, às vezes, o professor tem o hábito de escutar,
mas não ouvir o aluno. Saber do que ele está falando e tentar acreditar nessa possibilidade do aluno. E também os meninos, eles me deram coragem. Eu fiquei mais solto, eu não tenho
mais… Foi muito interessante, eu saí dessas convenções, dessas amarras, eu posso dar
aula de saia, sei lá, e vai ser massa, e vai ser legal. Eu não estou mais, eu não tenho… Se os meus colegas acharem legal vai ser muito legal também, mas a minha prática, ela tem que ser para os alunos. Essa é a minha conclusão. ANGÉLICA: Você desenvolveu uma auto-confiança,
né? JEFFERSON: Eu sou pouco modesto, né? Eu sou pouco mosdesto, mas o Criativos, ele, quando eu conheci essa galera fantástica, além da galera do ALANA, que a gente tinha
um grupo de técnicos que era um pessoal, tipo assim, pessoas que eu lia, né? O Fred Di Giacomo.

Eu já conhecia a coisa do Quick. Eu fiquei louco quando eu vi, tipo assim, essas pessoas
existem. E essas pessoas não terem vergonha. Aquele dia que a gente, quando a gente estava
em São Paulo, e toda a banda ALANA foi todo mundo: " vou dançar, vou dançar de que jeito?
Do jeito que eu quiser". Isso são coisas que vêm na minha cabeça, tipo, não precisa
de censura, porque foi muito legal quando vocês dançaram, os meninos dançaram, os
professores dançaram, porque eu me lembro da gente, os professores tudo de braço cruzado,
e ai a galera dos técnicos e a galera d'ALANA começou dançar com a banda, ai os meninos
dançaram e tipo meio que como que se o professor precisasse "a que ponto eles vão achar que
eu sou ridículo?".

E ai eu descobri que para o aluno que se é a sua proposta for para
ele, em momento nenhum você vai ser ridículo. ANGÉLICA: Pri, lê as perguntas e os comentários. PRISCILA: Estamos com algumas perguntas aqui. O Wander está comentando que ele é bibliotecário… espera ai que pegou aqui… que ele é bibliotecário escolar. Que um consenso entre o corpo pedagógico, direção, alunoss e pais diz que a nossa biblioteca é do diálogo, não existe silêncio, é
troca, é diálogo e compartilhamento o tempo todo.

Ai ele comenta também que essa coisa
da falta de percepção, da transversalidade, ainda é uma barreira para ele também.
A Adriana está fazendo uma pergunta: "Jefferson, porque avalia que não acontece a parceria
com outras disciplinas? Você acredita que existe um medo dos professores de perderem
o controle do processo, ou de ter mais trabalho?". Essa é uma pergunta. Deixa eu ver aqui.
Ai o Wander comenta essa pergunta da Adriana, dizendo: "Nossa, isso é muito louco né?
O mundo inteiro caminha para que o professor seja mais cada vez mais mediador, não detentor.
A coisa de perder o controle, de não ter a palavra final, de não tecer o processo de informação ainda é herança do século XVIII." Vou passar para o Jefferson, para o Jefferson comentar, essa coisa da dificuldade
de…

Como que é… se tem esse medo, se você sente que existe ainda esse medo dos
professores perderem o controle, ou a questão é de ter mais trabalho? JEFFERSON: Eu acho que tem de tudo, a questão
do retrabalho, ela é muito grande. Eu sei que o professor tem muita coisa para fazer,
eu sou professor e, eu não uso só como atividade avaliativa só prova, então eu faço vários
outros milhares de coisas, de projetos, de textos, de debates. Isso tudo já é um retrabalho,
inclusive foi em cima disso que eu presenciei o colega falando que eu era bobo, porque eu
fazia coisa de mais, e dava mais trabalho para mim.

Um ponto é esse, que eles acreditam
que vai ter mais trabalho. Só que assim, todos os meus trabalhos extras, diferenciados,
diferentes de testes, prova, eles são proposições minhas, então eu não posso achar ruim de
corrigir uma prova que tem dois textos dentro da prova, se a proposição do texto foi minha.
Então se eu me proponho a fazer o trabalho, depois eu não posso reclamar que eu vou fazer
esse trabalho.

Tem essa questão do professor não querer um trabalho maior. Na escola particular,
normalmente a gente recebe uma hora de coordenação por semana, então uma hora de coordenação
realmente não dá para fazer nada, é impossível, você não consegue corrigir prova, se a pessoa
for pedir [interferência na emissão] não vai conseguir mesmo. Eu corrijo prova, assisto
série e youtube e ao mesmo tempo, então não vai funcionar. Só que eu aceitei, então
eu vou precisar mudar isso dentro do meu contexto real. Então, um motivo é essa questão do
retrabalho, dos professores não aceitarem. Também tem o jogo de ego muito grande. Eu
não consigo entender porque, qual o problema do aluno gostar de todo mundo. Ele não precisa dizer: "Ah, o Jefferson, eu só vou gostar da aula do Jefferson".

E ai acontece de, às vezes, o menino falar que prefere a aula de um ou de outro, e o professor, ele fecha a cara para o outro professor, ao
invés dele falar assim "Velho, o que está acontecendo nessa aula ai que os moleques estão se amarrando? Me explica? Vamos fazer juntos?" Então, normalmente não acontece. Então essa disputa de ego na Escola Particular, ela é muito grande, eu acho maior que na
escola pública. Já trabalhei na escola pública, também acontece.

Ai o professor tem medo
de perder esse controle, então dentro do projeto a gente trabalha cinema, fotografia,
arte, português – porque tem texto -, matemática – porque tem medida -, e ai alguns professores
reclamam, já reclamaram, tipo você "Ah, você está se metendo na minha disciplina".
Ah, eu acho isso loucura, tipo, como assim? No final do ano, os meninos fizeram um projeto
junto comigo que era o Irreal. A gente criou um dinheiro, uma cedulazinha, tem uma caricatura
com a minha cara, colocamos a caricatura no dinheiro e bonificações. Ai o professor
falou assim "mas esse projeto é de matemática" Porque ai a gente fez um projeto de escambo: quem faz a atividade, que ajuda o outro, tal. Eles faziam a numeração e tal. E ai o professor
acha ruim, porque "Não, mas isso é matemática". E isso acontece, infelizmente. O professor
tem medo de perder esse controle, e o que eu achei maravilhoso é como é legal não
ter esse controle. O projeto me trouxe isso. "Ah, a escola tem que ser orgânica". Mas
ai para o professor, uma escola orgânica é todo mundo em fileira e é todo mundo calado.
"Ah, porque na minha época, na minha sala ninguém fala nada"; eu falo "Cara, que chato".
Na minha sala às vezes é uma bagunça, porque todo mundo quer falar.

Então o professor
tem medo de perder esse poder. Ele tem medo de perder o emprego, ele tem medo de – tipo
assim "e se a sociedade descobrir que não precisa de mim". Eu falei "Gente, olha só,
eu sou professor de história. Qualquer coisa que o aluno precisar saber de história, ele
tem no youtube". Então eu preciso de ter uma função além do que é simplesmente explicar
o que é a Revolução Francesa, eu preciso me reconstruir em cima disso, eu não tenho
mais o conhecimento.

Já aconteceu e eu achei muito legal, de estar explicando sobre a Ilha
de Páscoa, e ai eu estava falando de que eles encontraram umas cabeças no oceano das
cabeças de Páscoa e tal, e que eles estavam estudando. Ai um aluno levantou a mão: " Não professor, mas eu estava olhando num site tal. Semana passada já descobriram que
era um jogo de marketing da Ilha para atrair mais turistas". Então assim, eu falei "Qual
site?", ao invés de eu contrapor, eu abri o site, e a gente viu "pô, realmente informação
nova de 15 dias atrás, eu não sabia".

O professor tem medo de dizer "eu não sei". Tipo, eu
não sei de tudo nunca, eu não vou saber de todos os nomes, de todas as datas, jamais,
então, isso é legal "eu não sei, mas eu vou procurar saber" e você trazer o retorno,
porque eles cobram uma vez, a segunda vez eles não vão cobrar, mas eles não esquecem. PRISCILA: E essa é a relação dialógica, né Jefferson?
Quando o educador consegue perceber que ele também… esse trabalho, ao invés dele ver
como um trabalho, na verdade é uma formação que acontece na prática. Ele também vai
aprendendo "puxa, que legal". Quando eu faço as oficinas, eu adoro quando vem alguém e me traz uma coisa nova, um link novo, uma coisa que eu também não conhecia,
para mim é muito enriquecedor. Eu acho que esse lugar não tem outro jeito, vai ter que
ser mesmo vivências, que esses professores possam ver com experiências bacanas, de ousadias,
que vocês todos estão fazendo, porque é algo de mudar muito o paradigma da própria
formação dele, né? A formação do professor, essa formação de quem vai estudar para dar
aula.

O que é dar aula, eu preciso dar aula. JEFFERSON: Ele me desrespeitou, mas o que que
você fez com ele para ele te desrespeitar? PRISCILA: Exato. Exato. Então é uma… ele precisa vivenciar que é possível e ele precisa achar o valor para ele, para a vida dele, ver "Puxa, que
bacana! É legal alguém trazer alguma coisa nova. Eu não preciso mesmo saber de tudo,
até porque a gente aprende com as pessoas ao nosso redor, com amigos, com família,
porque…" JEFFERSON: Escola educadora. Cidade educadora. PRISCILA: Exato. Porque você também não… [interferência na transmissão] JEFFERSON: O professor, ele não está pronto ainda para ser questionado. É uma coisa que a gente passa muita dificuldade, em sala, em coordenação pedagógica. "Ah, mas ele teve coragem de me questionar". Poxa,
como assim, mas o que que ele te trouxe? Já é hábito agora… desde depois do bimestre
passado… a gente tem uma coisa que a gente fala que é o conselho de família, na aula de história,
está sendo no final de cada semestre.

Conselho de família, qualquer coisa pode ser escrita
ou dita, que não vai ser questionada de nenhuma forma, e ai depois eu compilo todas as reclamações deles – não precisa colocar nome, nem nada – e eu faço um arquivo, eu passo para
eles e passo para a coordenação da escola. Coisas que eles sugeriram para melhor a minha
aula e o que eles sugeriram para melhor as aulas da escola. Cara, é muito legal quando
depois o outro semestre, eles veem, aquele sendo alterado e foi uma proposição deles.

E ai é muito legal porque eu faço todo um ritual. Eu falo para eles que eu vejo, leio, depois digito e rasgo tudo para ninguém descobrir nem pela letra. Então isso deu para a gente uma relação
de responsabilidade, então eles falam qualquer coisa. Eles xingam, não, tudo bem, pode xingar, não tem problema, não sei quem é. Pode xingar no papel, fala do jeito que você gostaria de falar
se você pudesse falar para mim ou para qualquer, essa pessoa que você está querendo dizer, e também está dando super certo. Uma forma, que como ele tem medo desse embate, é uma forma que ele
tem de ter um pouco de voz, que é um princípio, mas que eu já acho que também é válido, né? PRISCILA: Gente, oito e doze. Vamos fazer as últimas
considerações, Jefferson. ANGÉLICA: Sim. A gente recebeu mais alguma
pergunta, Pri? Não? PRISCILA: Comentários. Tem Comentários. A Adriana
fala que também tem dificuldades com essa questão do envolvimento dos parceiros, dos
outros professores. E o Jefferson está rindo, o Jefferson não… o Wander comenta assim "Jefferson, hahaha, estou rindo.

Esse tipo de comentário é uma loucura, mas a gente ouve mesmo. A
coisa de cada informação dentro da caixinha. Sem dúvida o processo de formação tem que
ser dialógica. Esse sim é um processo rico, totalmente enriquecedor. ANGÉLICA: Tá. Mari, Adriana, se vocês quiserem
comentar mais alguma coisa, vocês podem, tá? PRISCILA: Isso, aqui do lado. A Andrea, que eu tive que desligar o microfone,
porque vocês estão ai no mesmo ambiente, está dando ruído, mas se você quiser agora
pode falar, Andrea. Liga ai o seu microfone. ANDREA: Então, eu queria fazer uma defesa
dos professores. Porque assim, é muito complicado mesmo.

A gente está numa situação de centro
de poder. Muito repetida, é uma história repitida. O Wander comentou, século XVIII, a gente sabe que é. Mas há também uma afliação, essa aflição, ela também existe, e uma dificuldade de sair
dessa zona de conforto, que não é mais confortável, porque os conflitos dentro da escola, eles
são cada vez maiores, mais barulhentos, que é uma dificuldade muito grande, que as pessoas
gostam de chamar de "choque de geração", e eu não acho que é um choque de geração, é na verdade um desespero muito grande de mudança. O aluno não vê mudança, o professor não
sabe como fazer. Então, eu até anotei aqui, o Mario falou que ele faz a orientação pedagógica,
e eu achei massa, sugestivo o nome até, porque tira aquela coisa da formação de professores e procura uma mediação, uma conversa… eu falo muito, eu gosto muito de dizer isso que os alunos precisam ser ouvidos, precisam ser acolhidos, os pais
precisam ser ouvidos, precisam ser acolhidos.

É um prazer enorme chamar pais para dar boas
notícias, porque a gente tem o mau hábito de só chamar os pais só para dar más notícias.
E o professor também precisa, o professor também está no meio desse conflito todo
e poucos são os que se sentem confortáveis porque eles sabem que aquilo que eles oferecem
como um conforto não dá mais, ninguém quer, não rende, e o professor também não sabe mais o que fazer. E ai, eu queria só fazer essa defesa, porque tem mesmo, tem muita dificuldade, tem orientador de aula que o cara [interferência no microfone] seu caderninho amarelo há 25 anos. Mas também há
no meio de tudo isso, uma afliação crescente e o não saber, o não saber o que fazer,
né? Então, quanto mais a gente conseguir plantar sementes dentro das escolas, redes
de ensinos da região, das regionais, com esses novos pensamentos, esses novos [interferência no microfone].

E que a gente também possa levar isso e compartilhar isso, enfrentar um pouco essa cara feia, porque
eles ficam mesmo, com um certo desconcerto. E tem cara feia e tem também [interferência no microfone] e tem o temor. Mas a gente vai enfrentando e tentando trazer mais gente e compartilhar um pouco do que a gente
sente, porque é muito prazeroso também quando você percebe que cada uma funciona de outro
jeito, funciona muito melhor. Os meninos ficam muito mais felizes e a gente sente no final
do dia só cansaço, porque normalmente a gente sente cansaço, frustração, desânimo [interferência no microfone] Ai você sente um cansaço muito grande, mas é muito bom voltar para casa com esses resultados. Então
é só para também defender. PRISCILA: Que ótimo. Muito bom você pontuar isso Andrea. Eu acho que tem isso mesmo porque os professores, eles se sentem muito sozinhos, muito solitários
nessa função que, sobre buscamos falar das emoções, do sentir a gente mesmo, né Angélica?
que tem, até a gente colocou um item no curso voltado para isso, porque a gente fica pensando em sentimento nas sensações das crianças, mas é legal também olhar para
nós educadores, que nós também temos nossos sentimentos e muitas vezes é muito parecido
com o colega, e a gente também não tem o costume de dividir isso e ver como é que a gente junta as preocupações, as angústias em tentar buscar uma solução, que eu acho que é isso
que você trouxe aqui para essa conversa, que é muito, muito importante.

Está todo mundo
aqui comentando que são reflexões mesmo muito importantes, que os professores estão
de fato aflitos e que muitas vezes adoecidos, a Adriana traz aqui, né? A gente
vê mesmo acontecer muita somatização, muito caso mesmo de professor que adoece dessa sensação
de tristeza mesmo, né? MARIO: O trabalho que a gente faz na mediação,
a gente trabalha com os alunos, trabalha com os professores e numa escola que eu atendi
semana passada, a coordenadora pedagógica me relatava assim: "que se nós vamos ouvir os alunos, quem é que vai ouvir os professores? ; quem vai ouvir os coordenadores? ; quem vai ouvir a direção?" e nessa semana como eu tenho trabalhado muito próximo da nossa coordenadora
regional, que um nível abaixo da secretaria de educação, eu começo a me perguntando "Quem
é que vai ouvir o coordenador regional?", porque ele também: "a secretaria não me
ouve.".

Essa questão da escuta é um exercício assim, muito difícil de ser feito, e isso
só está difícil por causa da sua necessidade. A gente tem muita gente falando na nossa cabeça,
tem sempre vinte canais da tv à cabo, tem milhões de canais no youtube, é um montão
de blog, mas escutar mesmo, poucas pessoas se dão ao cuidado de fazer isso,
ou fazer isso com cuidado, né? Então, a gente que está um pouco nesse meio do caminho
e graças a Deus aprendendo algumas ferramentas… Porque eu acho que tem um outro complicador:
nós não temos ferramentas para ouvir. Uma das coisa que me interessou bastante em relação
ao Design Thinking, ao Criativos, é me dar ferramentas para ouvir as pessoas.

Isso eu
não tinha. E a gente escuta muito pessoalmente, não é terápia, não é aquela escuta do
amigo. Então escutar de uma forma mais consistente, produtiva, empática – eu vi
uns videozinhos assim sobre empatia – de uma forma mais empática, é um ferramental que a gente precisa divulgar, e antes de divulgar aprender mais a fazer. ANGÉLICA: Eu estou lembrando muito na conversa
agora, da semana passada, quando uma das alunas, acho que foi a Sophia, ela num determinado
momento da conversa, ela quis dar dicas bem práticas, ela falou assim "eu queria falar
umas dicas bem práticas de coisas que podem ser implementadas amanhã", e uma das coisas
que ela falou foi "é só o professor chegar e perguntar para a gente: o que você está
achando da minha aula, o que você está com vontade de aprender?".

Então, eu acho que
foi muito, foi muito para mim, e ela depois também comentou essa necessidade de de repente
fazer aulas em roda, não aulas enfileiradas, porque o aluno fica vendo a nuca do aluno da
frente, não se reconhece. Então, eu acho que é esse campo da escuta, e o campo do
diálogo, porque quando o Mário fala "todo mundo quer ser ouvido", pra gente ser ouvido e a gente ouvir o outro é diálogo. Então, são esses espaços de escuta que a gente tem que criar. Mas esses espaços de diálogo também, onde o Jefferson contou que ele convidou os
alunos "Que ideias vocês trazem?", para criar esses espaços onde a gente está disposto
a ouvir, onde a gente também pode dizer o que que a gente está sentindo.

E foi justamente
quando a Pri, foi bom que ela lembrou que a gente está nesse módulo e no próximo passando pela metodologia do Criativos né? Muito com o olhar de como esse exercício pode ser feito
dentro da sala de aula, facilitando o projeto de protagonismo, mas tudo o que a gente está
falando, essa: pensar sobre a minha realidade, também pode ser exercitado pelo professor. E às vezes, a gente também não cria espaços com a gente mesmo para a gente pensar um pouco da nossa
prática, refletir um pouco o que está deixando a gente angustiado, "O que a gente gosta na escola onde a gente trabalha?; O que a gente acha bom?; O que que a gente gostaria que fosse
diferente?". Então é abrir um espaço para o diálogo e um espaço para o diálogo onde
as pessoas possam conversar, que elas estão com medo, que elas estão tristes.Por isso
que eu acho que essas temáticas que a gente vem trazendo da escuta, da empatia, das emoções,
são tão importantes, né? Por que também são diálogos onde as pessoas possam se expor
e sem medo de ser…

O Jefferson falou "eu recebi um monte de ideias, até vamos dormir
na aula e eu não podia ridicularizar, eu não podia dizer que não iria funcionar",
então como é que a gente abre esse espaço para o diálogo de uma forma empática, sem
reagir, sem julgar e sem condenar a fala do outro como ridícula, imprópria, improcedente.
Então, realmente essa discussão de abrir mais espaço também para os sentimentos, para
as pessoas se expressarem a partir da luz do sentimento. Por isso que eu pedi para o
Jefferson também contar a história dele a partir do que foi provocando nele. Ele falou "ah, então eu senti medo, depois fiquei entusiasmado…". Então, a gente também encarar e ai o que a Andrea falou dessa coisa do momento que a gente está vivendo, desses dilemas
que vivem dentro da escola e do momento histórico da educação, né? A gente nunca teve, o Jefferson
dá aula e o menino que está lá da um google na aula seguinte, ele questiona a informação
que ele deu, então a gente nunca viveu na nossa vida, um momento que nem a gente está
vivendo agora, então realmente é um momento de transição e é um momento que a gente
tem que experimentar novas formas, porque as formas antigas não estão dando mais conta.

Então, eu acho que o convite que a gente [interferência na transmissão] vocês… eu fiquei, eu quero agradecer muito a participação de vocês todos hoje, foi muito interessante, muito emocionante
poder estar aqui em São Paulo, conversando com o Mário no Rio, coversando com a Andrea,
conversando com diversas partes do Brasil, muito emocionante. Também espero que ao longo
do curso, seja nesse formato do Hangout, ou seja no formato dos fóruns, a gente crie também
um espaço para a gente compartilhar hoje eu recebi uma mensagem de uma aluna também falando:
"ah, eu preciso trocar porque eu estou vivendo muito aflito, né" Então, eu espero realmente
que o curso seja um espaço para a gente diálogar cada um dentro do seu lugar e do seu contexto
para expor essas aflições e para a gente reconhecer que a gente está junto num grande laboratório
experimentando coisas novas que vão dar errado, que vão dar certo, que vão ser aprimoradas,
e que são o embrião desse novo modelo, né? Então, eu imagino que daqui duzentos anos
vão pensar "ai…

Os professores do início dos anos 2000". Então é isso, a gente está
experimentando e está plantando esse novo jeito de, essa nova escola. Ai no começo
é bem dificil mesmo. PRISCILA: Está todo mundo aqui já agradecendo. O Wander e a Adriana que participaram aqui no bate-ápo no chat, e adoraram e agradeceram a oportunidade
aqui da participação. ANGÉLICA: Muito bem! Muito obrigada gente! Mais uma vez agradeço a participação de todo mundo! Repetiremos, nos encontraremos em breve e
vamos escrevendo, vamos trocando. Vão dando sugestão, mandem sujestão. A gente … Queria só fechar dizendo que esse é o nosso primeiro curso, é a nossa primeira experiência, então a gente também está fazendo um laboratório, tentando descobrir um jeito, então mandem
sujestões. A gente pensou um determinado jeito, mas mandem sujestões de temáticas,
ou de assuntos para hangouts como esse, para a gente construir essa experiência juntos. MÁRIO: Ok. ANGÉLICA: Está bom? MÁRIO: Está legal. ANGÉLICA: Muito obrigada! PRISCILA: Logo, logo vai estar no ar o hangout.

MÁRIO: Está ok. ANGÉLICA: Obrigada Jefferson, e Andrea e todos vocês. PRISCILA: Mário, Wander, Adriana. Até mais então..

Texto inspirado em publicação no YouTube.

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